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Xanalicious

Seg | 23.04.18

SLOW DOWN: UMA NOVA ABORDAGEM AO CONSUMO

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Como vos disse em Janeiro (quem não viu, espreite este post), este ano o (meu) consumo iria ser guiado por mais calma mas, acima de tudo, por um "abandonar" da fast fashion - não da roupa em si (calças, por exemplo, só compro lá), mas das tendências momentâneas que esta tão bem nos "impõe".

 

Isto aconteceu muito naturalmente, não foi daqueles momentos em que precisei de me mentalizar que iria ter de ser: comecei a reparar nas peças que uso realmente e nas que me arrependo de comprar e, DE LONGE, arrependi-me de grande parte das tendências que adquiri (na Zara, no meu caso, mas como sabem é algo transversal).

 

 

Está tudo muito rápido, muito frenético, muito sem sentido. Estou farta de ter muita roupa, de cada vez que "limpo" o meu guarda-roupa ter sacos e sacos cheios. De ter muitas peças "pouco especiais" no guarda-roupa. E de perceber todo o desperdício que para ali vai. Porque não falamos apenas de dinheiro - todos temos de ter questões de sustentabilidade em mente!! E, numa escala MUITO menor - estou mesmo cansada de estar "rodeada de coisas", especialmente que não me dizem nada. UFFF

 

 

Há uns dias partilhei uma Story nesse sentido e recebi muito feedback muito positivo (e o tal post de Janeiro é o mais lido deste ano), o que me faz pensar que não só estamos muito interessados nisto como não sou a única. Por isso, não hesitei em convidar para um post 3 pessoas que adoro acompanhar no digital para nos contarem tudo sobre a sua abordagem ao consumo.

 

 

 

 

 

 

Joana Veríssimo (Stay Gold)

 

"Com este corte quero apenas quebrar o hábito de precisar constantemente de coisas novas para sentir que estou actualizada e quero redirecionar o dinheiro que gastava em fast fashion para peças mais especiais, mais únicas e que tenham uma história mais interessante para contar."

 

 

 

O que te levou a cortares com o consumo na fast fashion? É radical? Tens algum timing ou queres mesmo ser um “modo de vida”?

Já há algum tempo que tenho vindo a querer fazer uma pausa e não comprar nada durante uma temporada para ver como isso ia influenciar o meu estilo. Tinha vindo a notar que como tinha sempre uma peça a estrear no armário acabava por não dar tanto uso ao que já tinha porque acabava por ter sempre ali uma “lazy style solution”, usar a peça nova em vez de encontrar novas formas de usar o que já estava pendurado no meu armário.

 

Diria que o momento que me levou a decidir finalmente fazer o corte radical foi a viagem que fiz recentemente à Califórnia. Como já estava tão farta do inverno de Nova Iorque e estava super entusiasmada por ir para um sitio quente decidi comprar peças da coleção de primavera para ir com um guarda roupa giro para a viagem. Quando dei por mim percebi que praticamente toda a roupa que ia levar para uma viagem de 7 dias era nova. Assim que regressei de viagem decidi que não fazia sentido continuar a comprar e que este era o momento de fazer essa pausa. Vou passar o verão a Portugal e decidi que não vou comprar nada até regressar.

 

São só alguns meses mas para alguém que trabalha, estuda e vive moda é impossível não me ir actualizando e claro que a tentação acaba por surgir. Com este corte quero apenas quebrar o hábito de precisar constantemente de coisas novas para sentir que estou actualizada e quero redirecionar o dinheiro que gastava em fast fashion para peças mais especiais, mais únicas e que tenham uma história mais interessante para contar.

 

Para ser completamente honesta, apenas decidi partilhar nos meus Stories que estava a fazer isto para me pressionar a cumprir este shopping ban porque reconheço que não vai ser fácil. Nunca esperei receber tanto feedback positivo de pessoas que partilharam comigo que sentiam o mesmo, que estavam elas também a fazer uma pausa nas compras e que muitas vezes compravam mais roupa do que na verdade deviam porque sentiam que a pressão de estarem a par de todos os fenómenos de tendências que vão acontecendo nestas plataformas que seguimos é quase impossível de resistir.

 

Acho que quando comprar roupa nova e planear looks, para quem ama moda e design, começa a ser uma actividade que gera ansiedade em vez de ser divertida e entusiasmante, temos que parar e perceber o que estamos a fazer e se aquela nova peça está mesmo a contribuir para o nosso bem-estar.

 

 

Vão existir excepções? Existem preocupações de sustentabilidade?

Claro que sim, não acho que seja preciso deixar de consumir fast fashion acho é que tem que haver um consumo mais disciplinado e consciente. Talvez porque estou mais por dentro de como a indústria trabalha me aperceba mais facilmente de como a constante introdução de novos produtos, coleções especiais, edições exclusivas etc são formas de gerar dependência no consumidor. Quero libertar-me disso porque esse consumismo desenfreado não é sustentável para o ambiente e não promove o desenvolvimento artístico da indústria porque estamos a deixar de apoiar o designer local que produz em pequenas quantidades e provavelmente com mais qualidade.

 

Não precisamos de tomar medidas drásticas basta procurar soluções mais criativas para combater essa necessidade de ter mais e mais. Há que re-educar o consumidor e julgo que isso também parte do lado das marcas. Noto que marcas como a Everlane que são 100% transparentes no que toca a métodos de produção, materiais utilizados e até na definição do preço final, contribuem para que valorizemos e respeitemos esse esforço que a marca fez para nos oferecer aqueles produtos sem gerar um impacto negativo à sua volta. Se o consumidor se for apercebendo disso vai gradualmente alterar os seus hábitos de compra e passar a exigir essa responsabilização das marcas mesmo que isso implique que por temporada vai passar a ter apenas dois blazer novos no armário am vez de cinco.

 

 

Quais as marcas que estás a consumir actualmente?

Aqui nos Estados Unidos tenho sorte de ter acesso a muitas marcas o que não só me permite vestir peças mais exclusivas como me permite perceber que há verdadeiras alternativas aos grandes grupos de fast fashion tal como a Reformation, Frankie Shop e Everlane. Em Portugal sentia mais dificuldade em encontrar peças que satisfizessem os meus requisitos em termos de design e qualidade mas a verdade é que nos últimos dois anos sinto que surgiram dezenas de designers com propostas incríveis e finalmente está a desenvolver-se um mercado que já não nos permite usar a desculpa de que não há alternativa às Zaras deste mundo. Reconheço que os valores não são semelhantes e que infelizmente não temos o poder de compra que aqui nos Estados Unidos se tem mas acredito que se reduzirmos o nosso consumo, se percebermos que não precisamos de renovar todo o guarda roupa para ir de férias, como eu infelizmente fiz, vamos começar a consumir menos mas melhor. 

Outro mercado que descobri e que acaba por contribuir para uma visão mais sustentável da moda é o mercado vintage. Ao princípio senti dificuldade em comprar algo que alguém já tinha usado até que comecei a perceber que estava a comprar roupas usadas poucas vezes que estavam em optimas condições e que provavelmente iriam acabar num aterro qualquer. Comprar peças vintage também me permite garantir aquela exclusividade e carácter único que tanto procuro e que é cada vez mais difícil de encontrar porque somos todos atraídos para as mesmas “it pieces” da Zara, Mango ou H&M ou até de designers de luxo.

 

Sentes que estás a redescobrir mais o teu guarda-roupa?

Sim! Quando olho para trás apercebo-me que considerava o meu estilo mais interessante e divertia-me mais a pensar em looks quando tinha mais escassez de opções. Quando não havia tanta escolha no meu armário acabava por ter que encontrar uma forma diferente de usar aquele determinado vestido e era aí que começa a a usar jeans por baixo ou outra qualquer styling option mais fora da caixa.De qualquer maneira, ainda estou mesmo no início desta “experiência” mas estou curiosa para perceber como o meu estilo vai evoluir daqui a uns meses. O facto de registar o que visto no instagram vai acabar por me ajudar a perceber se arrisquei mais, se inovei e se continuei a a gostar do processo de me vestir todas as manhãs.

 

 

 

 

 

My friend told me its cool to post this picture in an ironic way 🦑

Uma publicação partilhada por Concha ⚡️ (@constancamfirmino) a

 

 

Concha 

"Não vão existir excepções nem regras, a minha ideia com este novo modo de vida está mais relacionada com o comprar menos e melhor."

 

 

O que te levou a cortares com o consumo na fast fashion? É radical? Tens algum timing ou queres mesmo ser um “modo de vida”?

Começar a trabalhar num atelier de moda! Ganhei muito mais consciência da importância de fazer um consumo sustentável. Não acho que seja radical e não me vou inibir de comprar algo que goste, penso que vou ter é a consciência de questionar se preciso ou não da peça e avaliar a qualidade dela antes de comprar. Por isso penso que mais do que um corte radical ou algo temporário é um novo modo de vida. 

 
 

Vão existir excepções? Existem preocupações sobre sustentabilidade?

Não vão existir excepções nem regras, a minha ideia com este novo modo de vida está mais relacionada com o comprar menos e melhor. Optar por uma menor quantidade de roupa mas com mais qualidade, peças de designer e sobretudo peças que sei onde são produzidas. Claro que a preocupação ambiental esta subjacente a este modo de vida. 
 
 

Quais as marcas que estás a consumir actualmente?

Actualmente tenho procurado comprar nacional, desde Alexandra Moura, Marques Almeida, ou internacionais mas que sei que estou a comprar de qualidade como Bimba y Lola. Acho importante investirmos em menos quantidade mas melhor qualidade, em vez de comprar o hype procurar peças que gostamos mesmo e que durem anos e anos nos nossos armários. 
 
 
 
Sentes que estás a redescobrir mais o teu guarda-roupa?
Sem dúvida! O meu e o da minha mãe, a quem estou sempre a roubar peças.

 

 

 

 

 

 

 Mia (Make Down)

"Sinto que a criatividade de ter poucas coisas é sempre interessante e permite explorar mais o que tens."

 

 

Uma das melhores bloggers de beleza nacionais (acreditem - se procuram reviews honestas e com - muito! - conhecimento técnico, o Make Down é um dos blogs obrigatórios), também partilhou que deixou de comprar novos produtos de maquilhagem. Ou seja, a mesma abordagem mas aplcada à beleza E achei que fazia todo o sentido partilhar com vocês! Afinal, quantos batons coloridos temos sem usar - e, mesmo assim, estamos sempre a pensar no próximo? Eu já passei essa fase...

 

 

O que te levou a cortares com o consumo na maquilhagem ? É radical?

O que me levou a cortar um pouco o consumo é o sentimento assoberbante que também acontece com as roupas "tanta roupa e nada para vestir". "Tanta maquilhagem e nenhuma ideia para a aplicar"! Sinto que a criatividade de ter poucas coisas é sempre interessante e permite explorar mais o que tens. Não é, de todo, radical. Eu adoro beleza e dá-me mesmo gozo testar coisas novas e diferentes. Para além disso, no momento em que me proibir de comprar ou fazer o que quer que seja, é aí que me vai dar a maior vontade do mundo de varrer a Sephora. Gostava que se tornasse um modo de vida, até porque já tento aplicar o mesmo princípio com a roupa.

 

 

Quais as excepções que prevês? 

A excepção serão sempre os cuidados de pele (embora não estejam bem na categoria "maquilhagem") porque, mesmo tendo algum produto aberto, a minha pele é tão reactiva que posso ter de encetar outro para a acalmar.

 

 

Existem preocupações ambientais e de sustentabilidade?

Existem e prendem-se maioritariamente com as embalagens, que provocam uma poluição imensa. Quanto à composição dos produtos propriamente ditos, essa preocupação é difícil de aplicar porque os produtos de origem natural são, na verdade, os que têm processos de obtenção de matérias primas mais poluentes.

 

 

Sentes que estás a redescobrir mais o teu beaty closet?

Sinto que sim, e que cada vez mais estou a pensar muito bem se um produto é ou não o ideal para mim.

 

 

 

 

 

Espero que tenham lido tudo, com calma, como o artigo pede, que se sintam inspiradas e não se esqueçam de seguir:

 

@joana_staygold

 

@constancamfirmino

 

Make Down e @makedown_

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